O Rei-Servo e as víboras
Mateus 12.15 Mas Jesus, sabendo disto, afastou-se dali. Muitos o seguiram, e a todos ele curou, 16advertindo-lhes, porém, que não o expusessem à publicidade. 17Isso aconteceu para se cumprir o que foi dito por meio do profeta Isaías: 18“Eis aqui o meu servo, que escolhi, o meu amado, em quem a minha alma se agrada. Farei repousar sobre ele o meu Espírito, e ele anunciará juízo aos gentios. 19Não entrará em discussões, nem gritará, nem fará ouvir nas praças a sua voz. 20Não esmagará a cana quebrada, nem apagará o pavio que fumega, até que faça vencedor o juízo. 21E no seu nome os gentios colocarão a sua esperança.” 22Então trouxeram a Jesus um endemoniado, cego e mudo. Jesus o curou, e o homem passou a falar e a ver. 23E toda a multidão se admirava e dizia: — Não seria este, por acaso, o Filho de Davi? 24Mas os fariseus, ouvindo isto, diziam: — Este não expulsa demônios senão pelo poder de Belzebu, o maioral dos demônios. 25Mas Jesus, sabendo o que eles pensavam, disse-lhes: — Todo reino dividido contra si mesmo ficará deserto, e toda cidade ou casa dividida contra si mesma não subsistirá. 26Se Satanás expulsa Satanás, está dividido contra si mesmo; como, então, o seu reino subsistirá? 27E, se eu expulso os demônios por Belzebu, por quem os filhos de vocês os expulsam? Por isso, eles mesmos serão os juízes de vocês. 28Se, porém, eu expulso os demônios pelo Espírito de Deus, certamente é chegado o Reino de Deus sobre vocês. 29Ou como pode alguém entrar na casa do valente e roubar-lhe os bens sem primeiro amarrá-lo? E só então saqueará a casa dele. 30 — Quem não é por mim é contra mim; e quem comigo não ajunta espalha. 31Por isso, digo a vocês que todo pecado e blasfêmia serão perdoados aos homens; mas a blasfêmia contra o Espírito não será perdoada. 32Se alguém disser alguma palavra contra o Filho do Homem, isso lhe será perdoado; mas, se alguém falar contra o Espírito Santo, isso não lhe será perdoado, nem neste mundo nem no porvir. 33 — Tornem a árvore boa e o seu fruto será bom, ou tornem a árvore má e o seu fruto será mau; porque pelo fruto se conhece a árvore. 34Raça de víboras! Como vocês podem falar coisas boas, sendo maus? Porque a boca fala do que está cheio o coração. 35A pessoa boa tira do tesouro bom coisas boas; mas a pessoa má do mau tesouro tira coisas más. 36 — Digo a vocês que, no Dia do Juízo, as pessoas darão conta de toda palavra inútil que proferirem; 37porque, pelas suas palavras, você será justificado e, pelas suas palavras, você será condenado.
O evangelista Mateus introduz uma nova discussão.
Sabendo da intenção dos fariseus de tirarem a sua vida, O Rei se retira, mas prossegue em seu ministério de apresentação e pregação do Reino. Diante disso, entende-se que Jesus é o Servo Escolhido de Deus mencionado pelo profeta Isaías.
A cura de um homem endemoniado, cego e mudo causa admiração em todos os presentes, despertando a esperança de que Jesus seja o Messias, o Servo escolhido do Senhor. Contudo, os fariseus agem rapidamente para conter essa expectativa, insinuando que a demonstração de poder sobrenatural por parte dele tem origem maligna.
Com uma lógica inquestionável, Jesus demonstra a fragilidade dessa tese. A crítica dos fariseus revela-se ingênua e pode facilmente ser voltada contra eles mesmos: uma guerra civil sempre traz resultados desastrosos, tanto no meio físico quanto no espiritual. A batalha entre Deus e Satanás ganha gravidade e, nesse confronto, a neutralidade é impossível.
Chamar o mal de bem e as trevas de luz — como faziam os fariseus — atraía uma maldição pronunciada pelo próprio Senhor. Por ter uma natureza má, o fruto do caráter deles também era mau. Jesus, por outro lado, era essencialmente bom; assim como uma árvore boa não produz maus frutos, seria impossível que ele se aliasse a Satanás.
Toda a discussão do capítulo gira em torno da natureza essencial dos envolvidos. A natureza compassiva do Rei contrastando com a natureza perversa dos fariseus. O rei então aponta que o caráter manifesto de alguém revela a sua própria natureza e em conformidade com essa natureza serão justificados ou condenados.
Diante desse confronto entre a compaixão do Rei e a dureza da raça de víboras, qual natureza tem se manifestado nas intenções e palavras do nosso coração? A quem verdadeiramente pertencemos quando examinamos os frutos que produzimos no dia a dia?
Duas naturezas: O escolhido de Deus e a raça de víboras
A passagem descreve um embate definitivo de naturezas.
1 - A natureza compassiva do servo escolhido do Senhor - 12.15-21
Mateus 12.15 Mas Jesus, sabendo disto, afastou-se dali.
Jesus, frequentemente, se retira quando a oposição se intensifica. Normalmente, ele prega (e é pregado) entre opositores; em alguns casos, as oposições vêm daqueles que tiveram a oportunidade de ouvir sua mensagem, mas rejeitaram o seu chamado.
15b Muitos o seguiram, e a todos ele curou, 16advertindo-lhes, porém, que não o expusessem à publicidade.
Aumentam as advertências para que os curados guardem silêncio, pelas mesmas razões anteriores e com os mesmos poucos efeitos.
17Isso aconteceu para se cumprir o que foi dito por meio do profeta Isaías: 18“Eis aqui o meu servo, que escolhi, o meu amado, em quem a minha alma se agrada. Farei repousar sobre ele o meu Espírito, e ele anunciará juízo aos gentios.
O evangelista citando Isaías 42.1-4 interpreta o ministério de Jesus à luz do Servo escolhido do Senhor. A conduta de Jesus, segundo Mateus, cumpria perfeitamente as Escrituras.
O próprio Rei submeteu sua vida ao testemunho profético das Escrituras, por isso, a Bíblia é a nossa única regra definitiva de fé e prática. Toda a conduta dos crentes e doutrinas deve ser avaliada exclusivamente à luz da Palavra revelada.
Essa citação (Is 42.1-4), a mais longa em Mateus, antecipa os principais temas do restante do capítulo 12. Ele é o Servo escolhido de Deus, sobre quem o Pai derramou o seu Espírito com uma missão específica: O "Servo" proclamará a justiça às nações; surge aqui, novamente, a preocupação com os gentios, antecipando a Grande Comissão (28.18-20).
Mateus, baseado em Isaías, traça o perfil do ministério do Servo escolhido do Senhor:
1. 19Não entrará em discussões, nem gritará, nem fará ouvir nas praças a sua voz.
O Servo "não discutirá nem gritará", tampouco levantará a voz nas ruas. O retrato não é de um silêncio absoluto, mas de mansidão e humildade — uma apresentação do seu ministério que não é arrogante nem impetuoso.
2. 20Não esmagará a cana quebrada, nem apagará o pavio que fumega, até que faça vencedor o juízo.
O Servo não conduz seu ministério com insensibilidade em relação ao fraco, a ponto de quebrar o caniço rachado ou apagar o pavio que fumega (seja por ter sido cortado incorretamente ou por estar com pouco óleo). Esse comentário abrange a atitude de Jesus com os doentes, mas vai além: O Servo do Senhor traz salvação aos perdidos.
Como seguidores do Rei, devemos apreciar e imitar a sua atitude tanto diante dos opositores — evitando o confronto desnecessário — quanto
em relação aos fracos e perdidos, tratando-os com compaixão, paciência, graça e misericórdia.
21E no seu nome os gentios colocarão a sua esperança.”
O que se retrata é um ministério tão suave e compassivo que o perdido não é pisado nem esmagado até que a plena justiça de Deus triunfe. Não causa espanto, portanto, o fato de os gentios depositarem sua esperança no nome dele.
2 - A natureza perversa dos espiritualmente perdidos - 12.22-32
22Então trouxeram a Jesus um endemoniado, cego e mudo. Jesus o curou, e o homem passou a falar e a ver.
O homem sofria de três condições distintas: estava endemoninhado, cego e mudo. Mais uma vez, cumpre-se o que diz Isaías sobre o Servo do Senhor, que viria “para abrir os olhos dos cegos, para tirar da prisão os cativos, e do cárcere, os que jazem em trevas” (Is 42.7). A cura em si é relatada com extrema rapidez, pois o foco principal não é o milagre, mas sim o confronto que se desdobra a partir dele.
23E toda a multidão se admirava e dizia: — Não seria este, por acaso, o Filho de Davi? 24Mas os fariseus, ouvindo isto, diziam: — Este não expulsa demônios senão pelo poder de Belzebu, o maioral dos demônios.
A admiração da multidão levou à pergunta: seria Jesus o Messias? Como se esperava que o Messias realizasse milagres (conforme prevê Isaías 42), a expulsão de demônios apontava a favor de Jesus.
Novamente, os milagres não foram suficientes para convencer os fariseus, que estavam espiritualmente perdidos, de que Jesus era o Prometido.
A resposta de Jesus se desenvolve em três direções principais:
1) O Reino dividido
25Mas Jesus, sabendo o que eles pensavam, disse-lhes: — Todo reino dividido contra si mesmo ficará deserto, e toda cidade ou casa dividida contra si mesma não subsistirá. 26Se Satanás expulsa Satanás, está dividido contra si mesmo; como, então, o seu reino subsistirá? 27E, se eu expulso os demônios por Belzebu, por quem os filhos de vocês os expulsam? Por isso, eles mesmos serão os juízes de vocês. 28Se, porém, eu expulso os demônios pelo Espírito de Deus, certamente é chegado o Reino de Deus sobre vocês.
O argumento é claro: qualquer reino, cidade ou casa em que haja divisão interna destrói a si mesmo. O mesmo argumento se aplica ao reino de Satanás e ao exercício de sua autoridade sobre seus subordinados.
O Rei acrescenta uma pergunta acusativa ad hominem: por quem os filhos de vocês expulsam demônios?
A certeza é que Jesus sabe que as expulsões de demônios realizadas por ele, no poder do Espírito de Deus, provam que a era do Reino já irrompeu. Diante disso, ele argumenta com clareza para convencer os fariseus de que este Reino já chegou até eles.
2) A casa do homem forte
29Ou como pode alguém entrar na casa do valente e roubar-lhe os bens sem primeiro amarrá-lo? E só então saqueará a casa dele.
O argumento desenvolvido é que, se a expulsão de demônios realizada por Jesus não pode ser atribuída a Satanás, ela reflete uma autoridade maior do que a dele. Jesus, por meio desse poder superior, amarra o “homem forte” e despoja a sua “casa” mostrando que o Reino dos Céus avança com poder mesmo diante das forças de Satanás que lutam contra ele.
Essa passagem não pode ser usada em um contexto escatológico. Algumas pessoas, baseadas neste texto, afirmam que o Rei já imobilizou completamente Satanás. Contudo, ignoram que a passagem é metafórica, indicando o contrário: existe uma guerra espiritual sendo travada.
3) A blasfêmia contra o Espírito Santo
30 — Quem não é por mim é contra mim; e quem comigo não ajunta espalha.
A ideia central do versículo 30 é direta: em nosso relacionamento com Jesus, não há espaço para neutralidade. As declarações do Reino e as exigências de Cristo são tão exclusivas que ser indiferente ou permanecer apático em relação a ele equivale a posicionar-se ao lado daqueles que rejeitam seu messiado e o Reino de Deus.
O termo “espalha” carrega um sentido dramático para os leitores judeus, pois remete diretamente ao exílio profetizado em Isaías.
Isaías 42.22 Mas este é um povo roubado e saqueado. Todos estão trancados em cavernas e escondidos em cárceres; foram feitos prisioneiros, e não há ninguém que os livre; foram levados como despojo, e ninguém diz: “Devolva!”
O Rei não estava ensinando o evangelismo a qualquer custo, como se testemunhar dele de qualquer forma fosse válido. A sua advertência diz respeito à lealdade de seus seguidores e à aceitação de sua mensagem.
31Por isso, digo a vocês que todo pecado e blasfêmia serão perdoados aos homens; mas a blasfêmia contra o Espírito não será perdoada. 32Se alguém disser alguma palavra contra o Filho do Homem, isso lhe será perdoado; mas, se alguém falar contra o Espírito Santo, isso não lhe será perdoado, nem neste mundo nem no porvir.
Essa passagem assombra tantas pessoas ao longo da história. A blasfêmia é uma calúnia extrema, equivalente a "falar contra" em um julgamento. Os judeus a consideravam uma atitude gravíssima contra Deus.
Carson explica: “A blasfêmia contra o Filho do homem é a rejeição dele pelos não crentes, e isso é claramente desculpável quando a pessoa se torna cristã. Mas a blasfêmia contra o Espírito Santo é cometida pelo cristão e equivale ou a apostatar ou a rejeitar a mensagem inspirada do profeta cristão. Para isso, não há perdão.”
Contudo, ele elucida a questão para não haver condenações arbitrárias.
“Entre as muitas outras interpretações desse difícil incidente, a melhor delas trata-o em seu cenário durante a vida de Jesus. Os fariseus atribuíam a Satanás a obra do Espírito e faziam isso, como Jesus deixa claro, de uma maneira que revelava que eles falavam não por ignorância ou descrença, mas a partir de uma "disputa consciente do incontestável”.
Portanto, a blasfêmia contra o Espírito Santo é a rejeição deliberada, voluntária e consciente de sua obra. É a percepção clara da verdade e da luz — acompanhada pelo afastamento voluntário delas.
Com isso, a relevância do texto fica clara: a suposta neutralidade em relação a Jesus é, na verdade, oposição a ele (v. 30). Por essa razão, Jesus adverte quanto àqueles que blasfemam contra o Espírito, pois quem se considera neutro não reconhece o perigo inerente à sua própria posição.
3 - Uma questão de natureza - 12.33-37
Jesus intensifica a advertência de que as palavras de alguém sobre ele e seus milagres revelam sua verdadeira natureza, e que cada pessoa será julgada de acordo com o que diz em relação a ele.
Ele vai oferecer três exemplos:
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33—Tornemaárvoreboaeoseufrutoserábom,outornemaárvoremáeoseufruto será mau; porque pelo fruto se conhece a árvore.
Jesus orienta seus ouvintes a julgar a árvore como boa ou má a partir de seus frutos, pois é a natureza dela que determina o que irá produzir.
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34Raçadevíboras!Comovocêspodemfalarcoisasboas,sendomaus?Porqueaboca fala do que está cheio o coração.
O outro exemplo de Jesus continua ressaltando a natureza. A víbora é conhecida por sua natureza agressiva e astuta. O fato de Jesus descrever a maldade da “raça de víboras” em termos de seu coração ou de sua natureza não os exime de culpa.
Jesus pode estar conectando os fariseus com a semente da serpente que recebeu a maldição de Deus após a Queda (Gn 3.15). Deus predisse que haveria uma guerra constante entre a semente da serpente e a semente da mulher, e que, no final, o descendente da mulher triunfaria e esmagaria a cabeça da serpente, mesmo ferido no calcanhar.
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35Apessoaboatiradotesourobomcoisasboas;masapessoamádomautesourotira coisas más.
O terceiro exemplo focaliza mais o resultado exterior: a boca revela o que está cheio no coração. Um homem mau tem um tesouro mau em seu coração e dele tira coisas más. Como, então,
alguém sendo mau pode dizer coisas boas? É necessária uma verdadeira transformação do coração.
36 — Digo a vocês que, no Dia do Juízo, as pessoas darão conta de toda palavra inútil que proferirem; 37porque, pelas suas palavras, você será justificado e, pelas suas palavras, você será condenado.
A “palavra inútil” refere-se aqui a palavras que podem parecer irrelevantes, exceto pelo fato de revelarem o que está no coração. Jesus ensina que toda palavra dita reflete a natureza do coração e é do conhecimento de Deus. Portanto, as palavras possuem uma importância crítica.
Nitidamente, o Rei não está ensinando que repetir palavras de afirmação — mesmo versículos bíblicos — tem o poder de alterar a condição natural de alguém. O poder das palavras está justamente em revelar um coração distante ou próximo de Deus, à medida que reconhece Jesus como o Servo escolhido.
Além disso, Jesus não está ensinando a salvação pelas obras ao dizer que “pelas suas palavras, você será justificado”. As pessoas justificadas são aquelas que tiveram suas naturezas transformadas; logo, suas palavras condizem com essa nova natureza.
A autoridade de Jesus ao afirmar isso é impressionante. Não é ele quem está sendo avaliado quando as pessoas perguntam: “Não será este o Filho de Davi?” (v. 23) ou pronunciam blasfêmias (v. 24); são elas que estão sendo avaliadas e que serão julgadas por suas próprias palavras - de fé ou incredulidade.
A natureza humana
Mateus 12.37 porque, pelas suas palavras, você será justificado e, pelas suas palavras, você será condenado.
O confronto entre o Rei e os fariseus (denominados raça de víboras) expõe a realidade de que as atitudes humanas nada mais são do que o reflexo visível do estado interior do coração. Essa realidade demonstra a necessidade de analisar com maior profundidade a própria natureza humana ao longo do relato bíblico. Portanto, torna-se essencial examinar os aspectos fundamentais que definem a nossa condição espiritual diante de Deus. Alguns apontamentos sobre a natureza humana:
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Criação e retidão original: Os homens foram criados à imagem e semelhança de Deus e originalmente bons. Sua natureza não era corrompida, permitindo-lhes escolher e praticar o bem em perfeita comunhão com o Criador (Gn 1.26, 31; 2.16-17).
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A Queda e a depravação: O pecado corrompeu a natureza humana. Após a Queda, a humanidade entrou em um estado de depravação e separação existencial de Deus, da criação, dos outros e de si mesma (Gn 3). O homem passou a ser espiritualmente morto e a inclinar-se continuamente para o mal.
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A universalidade do pecado: O pecado se espalhou por toda a raça humana (Rm 5.12). Como descendentes e representados por Adão, todos os homens nascem com essa natureza corrompida e debaixo de culpa (Sl 51.5). Ainda que seja moralmente responsável por seus atos, o homem em seu estado natural é incapaz de agradar a Deus ou de buscar a salvação por si mesmo.
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Regeneração e nova vida: Pela ação soberana do Espírito Santo, o homem pode nascer de novo e experimentar uma nova natureza em Cristo (Ez 36.26-27; Jo 3.3). Deus providenciou em Cristo o único meio para regenerar a natureza caída (2Co 5.17). Agora, com a mente renovada, o regenerado pode resistir ao mal e produzir bons frutos (2Co 4.16).
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Glorificação e restauração final: Na glorificação e restauração final de todas as coisas, os remidos viverão a plena e definitiva renovação de sua natureza (1Co 15.54). Nessa ocasião, totalmente livres do pecado, não mais praticarão o mal (Ap 22.3).
Árvore boa, bons frutos
Mateus 12.33 — Tornem a árvore boa e o seu fruto será bom, ou tornem a árvore má e o seu fruto será mau; porque pelo fruto se conhece a árvore.
Mateus apresenta duas ênfases teológicas que guiam as nossas aplicações:
O rei
● Regeneração:Aúnicaformadereverterosefeitosdopecadona natureza humana é por meio da regeneração — o novo nascimento operado soberanamente pelo Espírito Santo. O fruto visível da regeneração é a conversão, uma transformação radical de vida simbolizada e declarada pelo batismo.
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● O oferecimento da graça: A salvação é oferecida gratuitamente no evangelho, chamando pecadores ao arrependimento e à fé em Cristo. Essa graça eficaz regenera o coração, capacitando o homem a responder voluntariamente ao chamado de Deus, sem mérito ou esforço humano.
● Os regenerados pela graça manifestam suac onversão em todos os aspectos da vida. Sendo alimentados pela Palavra, fortalecidos pela oração e edificados na comunhão do corpo de Cristo, os nascidos de novo produzem os frutos característicos dessa nova natureza.
O Reino
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● A exclusividade do Reino: A entrada no Reino acontece exclusivamente pela regeneração soberana da graça, dada somente em Cristo e conforme revelada apenas nas Escrituras.
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● A Igreja e os sacramentos: A Igreja atesta o ingresso e a permanência dos convertidos no Reino. Por meio do batismo, a fé é confessada publicamente e confirmada; na Ceia do Senhor, os crentes são nutridos e fortalecidos na comunhão do Reino.
● A igreja como comunhão dos santos: A igreja visível é formada por pecadores regenerados pela graça que, unidos em Cristo, experimentam diariamente os meios de graça para a contínua santificação e transformação do coração.
Conclusão
As nossas palavras e ações revelam se fomos verdadeiramente regenerados e se pertencemos ao Rei e ao seu Reino. Diante do confronto entre a graça de Cristo e a dureza de coração, somos chamados a examinar nossos frutos e a viver sob a constante santificação do Espírito Santo. Assim, manifestamos uma nova natureza transformada, produzindo frutos bons para a glória de Deus e a edificação do seu Reino.
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