O Rei Honra as Leis
Mateus 5.17 — Não pensem que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, mas para cumprir. 18Porque em verdade lhes digo: até que o céu e a terra passem, nem um i ou um til jamais passará da Lei, até que tudo se cumpra. 19Aquele, pois, que desrespeitar um destes mandamentos, ainda que dos menores, e ensinar os outros a fazer o mesmo, será considerado mínimo no Reino dos Céus; aquele, porém, que os observar e ensinar, esse será considerado grande no Reino dos Céus. 20Porque eu afirmo que, se a justiça de vocês não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrarão no Reino dos Céus.
O Discurso do Rei avança para o cerne de sua mensagem. Inicialmente, Jesus descreveu o crente por meio das bem- aventuranças. Em seguida, mostrou como aqueles que manifestam a nova natureza devem viver: como sal da terra e luz do mundo.
A partir deste ponto, Jesus detalhará o padrão de vida justa que o cristão deve seguir. É fundamental ressaltar, contudo, que o Sermão do Monte não é apenas um código de ética ou moralidade cristã. Jesus estava delineando um modo e uma qualidade de vida específicos. Por isso, é crucial ater-se aos princípios essenciais, evitando superestimar a importância das ilustrações apresentadas. O ensino central é que os súditos do Rei devem ter uma nova perspectiva e compreensão da vida e de todas as coisas.
Neste trecho, a discussão foca na relação entre o Antigo e o Novo Testamento, a posição da Lei no evangelho e sua conexão com outras passagens do Novo Testamento que afirmam a abolição de certas partes da Lei por se tornarem obsoletas.
Jesus começa estabelecendo duas premissas fundamentais, preparando a mente e a perspectiva de seus discípulos: (1) tudo o que ensinaria estaria em total concordância com o Antigo Testamento, e (2) seus ensinamentos estariam em completa discordância com as práticas e doutrinas dos líderes religiosos.
O cumprimento do Antigo Testamento
O Rei cuidadosamente revisou e reformulou as leis humanas, mas enfatizou o cumprimento e o estabelecimento da lei de Deus. Ele ressaltou a diferença fundamental entre o crente e o religioso.
A afirmação do rei
Mateus 5.17 — Não pensem que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, mas para cumprir.
Não pensem que vim revogar a Lei ou os Profetas... A missão de Jesus não era abolir (termo ligado com mais frequência à destruição de prédios) "a Lei ou os Profetas". Com essas palavras, Mateus marca o início do corpo do sermão e mostra que Jesus está fazendo um esforço para relacionar seu ensinamento e lugar na história da redenção às Escrituras do Antigo Testamento.
a Lei ou os Profetas... Jesus está se referindo só à lei moral: a lei civil e cerimonial, na verdade, estão abolidas, mas Jesus confirma a lei moral.
mas para cumprir... Jesus cumpre a Lei e os Profetas no fato de que estes apontam para ele, e ele é o cumprimento deles. A antítese não é entre "abolir" e "guardar", mas entre "abolir" e "cumprir". Para Mateus, não é a questão da relação de Jesus com a lei que está em dúvida, mas, antes, a relação desta com ele - na natureza profética do Antigo Testamento e na forma como ele aponta para Jesus.
A verdadeira e permanente autoridade do Antigo Testamento deve ser entendida por meio da pessoa e do ensinamento de Jesus para quem o AT aponta e que o cumpre tão abundantemente. Em resumo, os evangelhos estabelecem o fundamento para a compreensão de Jesus como aquele que instituiu a abordagem essencialmente cristológica e escatológica para o Antigo Testamento.
Duas verdades acerca das leis
Mateus 5.18 Porque em verdade lhes digo: até que o céu e a terra passem, nem um i ou um til jamais passará da Lei, até que tudo se cumpra. 19Aquele, pois, que desrespeitar um destes mandamentos, ainda que dos menores, e ensinar os outros a fazer o mesmo, será considerado mínimo no Reino dos Céus; aquele, porém, que os observar e ensinar, esse será considerado grande no Reino dos Céus.
1. Porque em verdade lhes digo: até que o céu e a terra passem, nem um i ou um til jamais passará da Lei, até que tudo se cumpra.
Porque em verdade lhes digo... Assinala que a declaração seguinte é da máxima importância. Jesus mantém inteiramente a autoridade da Escritura do Antigo Testamento até o menor traço. A percepção dele do Antigo Testamento é a mais alta possível.
Resta a duração da autoridade do Antigo Testamento. A oração "até que" respondem a esse ponto. A primeira — " até que o céu e a terra passem” — quer simplesmente dizer: Até o fim das eras; ou seja, não exatamente nunca, mas nunca enquanto a presente ordem mundial persistir.
A segunda "Até que tudo se cumpra”. Em outras palavras, até que todas as coisas aconteçam conforme profetizado. Todo o propósito divino profetizado na Escritura aconteça; nem uma letra ou traço dele deixará de ser cumprido.
2. 19Aquele, pois, que desrespeitar um destes mandamentos, ainda que dos menores, e ensinar os outros a fazer o mesmo, será considerado mínimo no Reino dos Céus; aquele, porém, que os observar e ensinar, esse será considerado grande no Reino dos Céus.
As distinções não são feitas apenas de acordo com a extensão em que alguém obedece ao "menor" desses mandamentos, mas também de acordo com a fidelidade com que os ensina. Assim, a graduação no reino visa o grau de conformidade ao ensino de Jesus à medida que esse ensino cumpre a revelação do Antigo Testamento. O ensino dele, em direção ao qual o Antigo Testamento apontava, deve ser obedecido.
Charles Spurgeon explica: “A nobreza do seu reino é ordenada de acordo com a obediência. Nem o direito de nascimento, nem o grau de conhecimento e nem o sucesso farão um homem ser grande; mas sim a humildade e a obediência exata em palavras e ações. Aquele que os cumprir e ensinar, este é o homem que será chamado grande no reino dos céus.”
A revisão do Rei
Mateus 5.20 Porque eu afirmo que, se a justiça de vocês não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrarão no Reino dos Céus.
A crítica de Jesus não diz respeito ao fato de que eles não eram bons, mas que não eram bons o bastante. Embora as múltiplas regulamentações deles pudessem gerar uma sociedade moralmente boa, domesticaram a lei e perderam a exigência radical por santidade absoluta ordenada pelas Escrituras. O que Jesus exigia é a justiça à qual a lei verdadeiramente aponta, exemplificada nas regulamentações que segue.
O versículo não estabelece como a justiça deve ser alcançada, desenvolvida nem capacitada; ele simplesmente apresenta a exigência. O Messias desenvolveria um povo que seria chamado "carvalhos de justiça” (Is 61.3).
O termo “exceder em muito" sugere que a nova justiça é superior a antiga qualitativa e quantitativamente. Nada menos que isso não entra no reino.
A relação do crente com a lei
A relação de Jesus com a lei não é somente um problema contemporâneo, era um problema também em sua época.
O crente não dispõe de um conjunto de regras fixas que devem ser seguidas para assegurar a salvação, mas aplicar cada princípio em cada situação específica de seu tempo. Podemos assim resumir esses princípios básicos:
● A lei é vivificante. Não deve ser obedecida de forma mecânica.
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● A lei não se limita apenas às ações; pensamentos, desejos e motivações também possuem igual importância.
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● AleiéocaminhodeDeusparaohomemperdido.Elapromoveo desenvolvimento das virtudes cristãs e é o caminho de Deus para a santidade.
● O objetivo final de todo ensino bíblico é que os homens possam conhecer o caráter de Deus.
A lei tem três aspectos: o aspecto cerimonial, judicial e moral. No tocante ao aspecto cerimonial ela foi totalmente cumprida na morte, ressurreição e ascensão de Jesus. O véu do santuário foi rasgado e todo cerimonialismo da lei foi executado. O aspecto judicial, destinava-se especialmente à nação de Israel por ser a nação teocrática, e, em circunstâncias especiais. Resta a lei moral, acerca desse aspecto, Deus estabeleceu algo permanente e perpétuo. Desse modo, a lei moral, conforme interpretada pelo N.T. está vigorando em nossos dias, como sempre esteve, e assim continuará até o fim dos tempos, até que recebamos o que é perfeito.
A cruz só pode ser plenamente entendida quando contrastada com a lei. O que ocorreu nela foi que Cristo, nosso Salvador, recebeu em Seu próprio corpo a punição que a santa lei de Deus prescrevia contra o pecado humano. A lei condena o pecado, e essa condenação é a morte (Rm 6.23). Assim, uma das formas pelas quais Jesus cumpriu a lei foi executando o castigo que ela impunha contra o pecado. Deus não poderia ter simplesmente resolvido não aplicar a sentença de morte que Ele mesmo havia decretado na lei contra o pecado, pois isso contradiria Seu caráter. Por essa razão, Cristo teve que morrer. A lei precisava ser integralmente cumprida.
As leis do reino na prática
• O rei - Jesus está ensinando a salvação pelas obras? Obviamente que não.
O que ele ensina é que a prova de que já recebemos da graça divina em Cristo, é que estamos vivendo no caminho da retidão. As virtudes são provas da nossa efetiva salvação em Jesus. Significa que Cristo está habitando em nós. Aqueles que nasceram do alto, dispõe da natureza divina em seu interior e por isso, são justos, cuja justiça excede em muito a dos escribas e fariseus. O desejo deles é glorificar a Deus, bem como obedecer, observar e honrar a sua lei. Os mandamentos de Deus para eles não são penosos. Ao contrário, o cristão deseja obedecê-los, porque os ama.
• O reino - Será que somos capazes de cumprir a lei moral de Deus?
O propósito da graça de Deus em Jesus, consiste em capacitar os crentes a cumprir e guardar a justiça da lei, então como é patente, eles devem conhecer e compreender claramente o que ela exige deles. A santidade requerida dos crentes no N.T. significa entre outras coisas guardar e cumprir a lei de Deus. Ser moldado ao padrão e às virtudes de Deus.
Não como os fariseus faziam. A religiosidade deles era inteiramente formal e externa ao invés de ser uma espiritualidade interior, do coração. Ademais, eles obviamente preocupavam-se mais com os aspectos cerimoniais do que com as realidades morais. Eles torciam as leis morais para atender aos seus próprios anseios. Por isso, em outras oportunidades, Jesus os confrontou com relação a conduta deles com os pais e também no casamento.
Deus sabe como somos habilidosos nessas manobras. Todos somos bem capazes de racionalizar os nossos próprios pecados, justificando-os assim por meio de alguma explicação capciosa, desculpando-nos das coisas que fazemos ou que omitimos. Todos nós somos excelentes em manobrar nossos pecados e essa era precisamente a atitude dos fariseus. Se o cristão quiser saber quem ele realmente é, poderá encontrar a resposta quando estiver sozinho com seus pensamentos, desejos e imaginação.
Conclusão
A lei de Deus é o padrão do dever cristão, e a misericórdia do Evangelho leva o crente a abraçá-la com alegria. Quem se diz seguidor de Cristo, mas incentiva a desobediência a essa santa Lei, seja por meio de sua conduta ou ensinamentos, não é um verdadeiro discípulo, independentemente de sua posição ou reputação.
Embora a justiça de Cristo, obtida somente pela fé, seja essencial para entrar no Reino da Graça e da Glória, um novo coração para a santidade resulta em uma transformação completa no caráter e nas ações do indivíduo.
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