O Rei e o compromisso
Mateus 8.18 Vendo Jesus muita gente ao seu redor, ordenou que passassem para a outra margem. 19Então, aproximando-se dele um escriba, disse a Jesus: — Mestre, vou segui-lo para onde quer que o senhor for. 20Mas Jesus lhe respondeu: — As raposas têm as suas tocas e as aves do céu têm os seus ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça. 21E outro dos discípulos lhe disse: — Senhor, deixe-me ir primeiro sepultar o meu pai. 22Mas Jesus respondeu: — Siga-me e deixe que os mortos sepultem os seus mortos.
Mateus segue apresentando a autoridade divina de Jesus. Precisamente, na perícope anterior, ele mostrou três milagres realizados pelo Rei (A cura do leproso, a cura do servo do centurião e a cura da sogra de Pedro). Depois disso, sua notoriedade deve ter crescido bastante.
Seria a oportunidade perfeita de iniciar uma grande cruzada evangelística, entretanto, a sequência da passagem diz que Jesus foi “para a outra margem”.
Jonas Madureira aponta uma verdade sobre as multidões: “Ora, a manutenção do anonimato é o que faz de qualquer multidão um lugar confortável para aqueles que desejam seguir Jesus sem compromisso. Isso vale tanto para as multidões dos tempos de Jesus como para as multidões de nossos dias.”
Em outro ponto ele diz:
“Mas, então, Jesus colocou o machado na raiz do problema. Agora ele está confrontando aqueles que se escondem na nebulosidade da multidão, dizendo a eles que, se quiserem segui-lo de verdade, será necessário que saiam das sombras e o sigam segundo os termos que ele estabeleceu, e não segundo os termos que estabeleceram por si e para si mesmos. Assim, para seguir Jesus, é necessário evidenciar certo tipo de amor, um amor que requer a negação de si mesmo.”
O evangelista parece ter incluído estes dois episódios neste ponto específico para evidenciar as características fundamentais do ministério de Jesus e o perfil de seguidor que ele buscava atrair.
E você, está realmente preparado para seguir Jesus sob as condições dele, ou continuará com justificativas que, no fundo, apenas disfarçam o temor de renunciar à sua própria identidade?
Alguns seguidores
A decisão de Jesus de atravessar o lago rumo à margem leste motivou certas pessoas a solicitarem sua inclusão no grupo de discípulos que o acompanharia.
Considerando que o discipulado, em sua essência, exige uma conexão íntima com o mestre, a forma como Jesus respondeu a dois desses indivíduos oferece perspectivas cruciais sobre o que realmente significa segui-lo.
1 - O Rei vai para a outra margem
8.18 Vendo Jesus muita gente ao seu redor, ordenou que passassem para a outra margem.
A passagem não esclarece as razões exatas que motivaram o Rei a atravessar para a outra margem. Ao que tudo indica, Jesus buscava se distanciar da popularidade crescente. Ao perceber que as multidões poderiam se tornar perigosas ou excessivamente entusiasmadas, ele partiu de barco para evitar atitudes equivocadas. É provável que Jesus não desejasse ser reconhecido meramente como um realizador de milagres ou curandeiro. Seguindo o Seu exemplo, os discípulos de Cristo devem evitar a busca pela notoriedade barata que os holofotes do mundo e a vida nas redes abundantemente oferecem. Além disso, os cristãos precisam ser extremamente cautelosos na forma como apresentam o Rei - Jesus não é apenas um pensador ou um curandeiro
poderoso - garantindo que sua mensagem central não seja comprometida.
2 - O candidato apressado.
19Então, aproximando-se dele um escriba, disse a Jesus: — Mestre, vou segui-lo para onde quer que o senhor for.
Embora Mateus frequentemente apresente os fariseus e escribas (os "mestres da lei") como adversários de Jesus, este trecho, no entanto, destaca uma exceção notável: um mestre da lei que se apresenta como um candidato ao discipulado. É significativo que este escriba tenha se dirigido a Jesus utilizando o título de "mestre", declarando prontamente sua intenção de acompanhá-lo por onde quer que Ele fosse.
À primeira vista, a disposição deste homem poderia sugerir um desejo sincero de seguir a Cristo. No entanto, a resposta de Jesus — que sondava as intenções mais profundas do coração — revela uma realidade distinta. Tudo indica que, ao testemunhar os milagres e a crescente notoriedade de Jesus entre as multidões, o escriba vislumbrou uma oportunidade de benefício próprio. Ele parece ter agido por um impulso precipitado, movido pela expectativa de alcançar prestígio, conforto e prosperidade material ao associar-se ao Mestre.
Essa motivação egoísta explica o seu passo apressado; em vez de aguardar um convite formal para o discipulado, ele se ofereceu voluntariamente, esperando colher os frutos da fama de Jesus.
É fundamental que aqueles que decidem seguir o Rei ajustem suas expectativas às reais promessas do Reino. Muitas decepções surgem justamente quando há um descompasso entre o que se espera e a realidade da caminhada, resultando em frustrações por expectativas que não foram atendidas.
20Mas Jesus lhe respondeu: — As raposas têm as suas tocas e as aves do céu têm os seus ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça.
Mesmo os seres mais simples, que habitam a terra ou os céus, possuíam mais bens materiais que o próprio Rei. Jesus proferiu essas palavras com o intuito de confrontar a percepção equivocada do escriba, cujas aspirações ao discipulado eram movidas por uma busca mundana por prestígio e fortuna. Surge, então, o questionamento: sendo Ele Deus, por qual razão mencionaria sua privação? Embora a totalidade do mundo lhe pertença e nada lhe falte em sua divindade, Ele escolheu a condição de homem para, por nossa causa, se tornar "pobre", para que "sejamos ricos".
3 - O discípulo atrasado
21E outro dos discípulos lhe disse: — Senhor, deixe-me ir primeiro sepultar o meu pai. 22Mas Jesus respondeu: — Siga-me e deixe que os mortos sepultem os seus mortos.
Discípulo, nesse contexto, não se refere necessariamente a um seguidor totalmente comprometido.
Em contraste com a prontidão impulsiva do mestre da lei, este outro "discípulo" demonstrou uma hesitação excessiva. Segundo a tradição judaica (e os valores ocidentais) fundamentados no quinto mandamento, o dever de um filho sepultar seu pai era uma das maiores obrigações de piedade. Diante disso, Jesus empregou uma linguagem paradoxal em sua réplica: orientou que os mortos (espiritualmente) cuidassem do sepultamento dos mortos (fisicamente).
Embora tal afirmação possa soar ríspida para muitos, é provável que os versículos 21 e 22 constituam uma hipérbole — uma figura de linguagem baseada no exagero para enfatizar um conceito fundamental.
O ensinamento central é que nem mesmo os vínculos familiares devem ter prioridade sobre a submissão ao Rei e seu reino. Jesus identificou naquele homem uma aceitação condicional de sua autoridade, o que revelava uma falta de sinceridade genuína. Para o Reino, o compromisso deve ser total e sem reservas, refletindo a importância absoluta que Jesus atribuía à sua própria pessoa e missão.
Spurgeon explica:
Grande parte das preocupações sobre política, táticas partidárias, reuniões de comissões, reformas sociais, divertimentos levianos e assim por diante pode muito propriamente ser descrita como enterro de mortos. Muito disso é um trabalho necessário, apropriado e louvável, mas ainda assim são apenas atividades que um não regenerado pode realizar tão bem quanto os discípulos de Jesus. Que eles o façam; mas, se somos chamados para pregar o evangelho, que nos entreguemos inteiramente à nossa santa vocação.
O compromisso do discipulado
Mateus 8.20 Mas Jesus lhe respondeu: — As raposas têm as suas tocas e as aves do céu têm os seus ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça... 22Mas Jesus respondeu: — Siga-me e deixe que os mortos sepultem os seus mortos.
Jesus menciona dois os pilares do discipulado:
1. O discipulado é um chamado que incondicional. Não é algo que as pessoas escolhem ou se candidatam; O Rei é quem nos convoca. E, quando ele chama, a resposta não pode esperar. O chamado é incondicional, e nossa resposta precisa imediata e sem reservas.
2. O segundo pilar do discipulado é a renúncia. Renúncia não significa que o indivíduo deve simplesmente anular- se, perdendo sua individualidade, antes, significa que devemos nos retirar de uma relação de obediência e lealdade com nós mesmos, para entrar em uma nova relação de obediência e lealdade com Cristo, agindo e decidindo de acordo com Cristo custe o que custar.
Portanto, tornar-se discípulo de Cristo, é agir além de si mesmo em uma ação e atitude específicas, em resposta ao chamado de Cristo para renunciar as antigas alianças, engajando-se em sua obra e ligando-se a ele. Discípulo é alguém que entrou em um relacionamento pessoal e salvador com ele.
Neste sentido, vivemos em uma cultura apodrecida pelo vírus do marketing pessoal e da superexposição de si mesmo. Cada um quer seu lugar ao sol do engajamento social e quase todos querem alcançar o paraíso do reconhecimento. “Imprima no mundo sua marca”. “Construa um legado inesquecível”. “Diga adeus ao anonimato”. Essas expressões são como tweets em nossa mente. Contudo, o que Jesus está ensinando é a “arte do desaparecimento” (termo usado por Jonas Madureira). Discipulado no modelo bíblico exige que Cristo apareça e que a gente diminua. É preciso resistir com todas as nossas forças a tentação da causa por amor-próprio.
Vivendo com discípulo do Rei
A primeira pergunta do Catecismo Nova Cidade pergunta: “Qual é nossa única esperança na vida e na morte?” O catecismo responde: “Que não somos de nós mesmos, mas pertencemos, de corpo e alma, na vida e na morte, a Deus e a nosso Salvador, Jesus Cristo”.
De que maneira essa pergunta e sua resposta se relacionam com o discipulado? Tim Keller observa que “não vivemos para agradar a nós mesmos. Não podemos viver como se pertencêssemos a nós mesmos”. Significa que:
O rei
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“não determinamos para nós o que é certo ou errado. Entregamos o direito de determinar isso e dependemos totalmente da Palavra de Deus”. A revelação de Deus na Bíblia é suficiente para os crentes. Eles rejeitam as maneiras humanas. Desprezam a sabedoria deste mundo e abraçaram por fé a vontade de Deus prescrita em sua Lei. Qual a sua relação com a Bíblia? Você precisa conhecê-la, meditar em suas leis, absorver seus ensinos e obedecer sem questionar.
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“deixamos de nos colocar em primeiro lugar e sempre colocamos nesse patamar o que agrada a Deus e demonstra amor ao próximo”. Algumas pessoas ensinam que “fazer o bem, só pode fazer bem”. O problema é que no final, a pessoa faz o bem pensando nela mesma. Quem foi comprado por Deus, sabe que nenhum outro bem se compara com esse, e por isso, eles podem fazer o bem, para que aquele que os comprou receba toda a glória.
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“Devemos entregar-nos inteiramente a ele, de corpo e alma. Isso quer dizer que confiamos em Deus nas alegrias e provações, nos tempos ruins, na vida e na morte”. Ainda existem áreas que você ainda não entregou àquele que te comprou por meio de seu sacrifício?
O reino
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Discípulo discipula. A vida dos seguidores de Jesus deve ser dedicada a ajudar outras pessoas a seguirem Jesus. Essa é a definição mais singela de discipular: ajudar outras pessoas a seguirem Cristo. O que significaria, para você, entregar-se a esse padrão bíblico de discipulado?
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Igreja discipula. Mark Dever defende que: “a Bíblia ensina que a igreja local é o ambiente natural para o discipulado. Na verdade, ela ensina que a própria igreja local é a discipuladora fundamental dos cristãos”.
Conclusão
Ser cristão significa ser discípulo. Não há cristãos que não sejam discípulos. Ser discípulo significa seguir Cristo e não há discípulos de Jesus que não o sigam, e eles o seguem onde quer que ele os guie. Não é você que determina o plano da sua vida, pois você pertence a ele agora. Pertencemos porque fomos comprados, e estamos unidos a ele por meio da nova aliança no seu sangue. Por intermédio da morte e ressurreição de Jesus, toda culpa do pecado que cometemos passa a ser dele e toda justiça que pertence a ele torna-se nossa.
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